sexta-feira

Bukowskianas

O segredo de não terminar um namoro é não começá-lo.

Aliás, o segredo de não se apaixonar é não idealizar as pessoas mantendo em mente a miséria da condição humana. É sempre saber, sempre manter-se consciente, de que todas elas cagam, invariavelmente, meu amigo, todas cagam. Olhar praquela cocotinha e imaginar o borrão. Por mais bem feito que seja, por mais elegantemente, o ato de cagar é estéticamente distópico, no máximo engraçado.

Tive um insight dia desses. Caguei o mais harmoniosamente possível, mantendo a classe, mas ao olhar pro lado recebi o baque da desolação: no paper. Revirei tudo, não tinha nada. Guardei meu espírito intato e parei de olhar pras minhas meias porque essa não era a hora de ser punk. Subi as calças, afivelei o cinto com desgosto, e meti pra rua. Fui comprar o papel já cagado, caminhando como o caubói da Marlboro, segurando as nádegas bem juntas. No desespero, agarrei o maior pacote que encontrei e, no caixa, fiz graça pedindo um maço, mas tava na cara. Ao chegar em casa, alguém ocupava o box cantarolando Maybelline.

Maybelline, why can't you be true?
Oh,
Maybelline, why can't you be true?
You've started back doing things that you used to do

Sentei e chorei a miséria da condição humana.