domingo

Desilusão do amor que nunca tive

O pequeno Chico odiava àquela cidade assim como às baratas, à cerveja quente, aos mauricinhos abraçados à garotas inacessíveis por quem alimentava o ódio frustrado dos derrotados. Acima de tudo, odiava tornar-se uma pessoa banal, ou melhor, sentir-se banal e ver descortinar-se à frente um futuro previsível. Seu desespero alimentava vermes em suas vísceras, idéias odiosas de subversão e marginalidade.
Esticou os dedos em volta do copo e bebericou com amargor as chaves da cela. Esperava poder tudo em poucos minutos, ansiava o momento da loucura de onde o caos misturava toda memória em algo impreciso e valioso. "Somos os últimos guerreiros de uma batalha perdida, somos a esperança daqueles que morrem felizes no asfalto quente das iniqüidades, nós somos os derradeiros profetas" e jogou por sobre o ombro o último resquício de consciência.